terça-feira, 27 de junho de 2017

Captura de britangos para colocação de transmissor com Lobomir Peske





Foram capturados, no passado dia 12 de Junho, no âmbito do projeto LIFE Rupis, dois Britangos (ou Abutres do Egipto, Neophron percnopterus), pela equipa da Associação Transumância e Natureza (ATN), em parceria com a Vulture Conservation Foundation (VCF) e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), no novo Alimentador de Aves Necrófagas de Escalhão, em Figueira de Castelo Rodrigo.  



A captura teve como objetivo a colocação de um transmissor GPS e a recolha de amostras para a vigilância de substâncias tóxicas e a avaliação do estado de saúde dos indivíduos. 


Estas ações estão incluídas no projeto LIFE Rupis, como forma de apoio à proteção da espécie e as mesmas permitem identificar ameaças, conhecer as rotas que utilizam, saber onde nidificam, onde se alimentam e, até, onde e porque morrem. 

A atividade de captura começou no dia 11 com a preparação da armadilha e durou até ao dia 22 de junho.
A armadilha utilizada pertence a Lobomir Peske, zoólogo da República Checa, que desenvolveu a sua própria técnica para conseguir capturar aves de grande porte.

A atividade combinou assim a experiência de Lobomir na captura de aves e a experiência da ATN com os Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN), no caso Eduardo Realinho, biólogo da ATN, conseguindo assim, após algumas tentativas, capturar dois Britangos na mesma rede.
Depois de capturados, foram colocados os transmissores de GPS nos Britangos, pelo Lobomir e retiradas amostras para análises, por Núria Vallverdú, veterinária especialista em toxicologia da ATN.

A mesma atividade foi realizada em Março deste ano, no entanto, sem sucesso na captura.
Nos dias a seguir ainda foram feitas mais algumas tentativas nos Alimentadores de Aves Necrófagas de Escalhão e de Penedo de Durão, no entanto, sem resultados.
A atividade de captura terminou com a realização de um workshop de Colocação de Transmissores e Recolha de Amostras em Aves de Rapina, dado pelo Lobomir, no CERVAS. A organização do mesmo foi feita pela ATN e pelo VCF e contou com a participação de SPEA e da Palombar.






quarta-feira, 21 de junho de 2017

Contributo da Associação Transumância e Natureza para uma nova política florestal


Face aos trágicos acontecimentos, a ATN quer, antes de mais, exprimir a sua solidariedade para com os familiares das vítimas de Pedrógão Grande e com a população da área afetada.
 
Foto de Hugo Sousa Marques
Trata-se de um drama de proporções excecionais, no entanto, infelizmente, os fogos florestais estivais são uma problemática crónica no nosso país, que, para além de afetar regiões já fustigadas pelos dilemas sociais (êxodo rural, desemprego e outros), ano após ano, traduz-se numa diminuição da riqueza florestal, no empobrecimento dos solos e, consequentemente, na perda da biodiversidade. 
 
A ATN já sofreu bastante com incêndios de grandes proporções que devastaram as áreas que nos propomos a proteger. Ao longo dos anos fomos aperfeiçoando a nossa capacidade para mitigar as condições que permitem estes acontecimentos. 
 
Foto de Juan Carlos Muñoz
Com base na nossa experiência direta, ao longo dos anos, e considerando a complexidade social e territorial dos fogos, campanhas de Vigilância ativa, trabalho colaborativo na gestão da floresta e fomento de redes de contactos para a vigilância, dão resultados positivos na deteção e combate rápido de ignições.   

Estas, combinadas com ações de prevenção através da silvicultura preventiva, do pastoreio extensivo com grandes herbívoros em estado semisselvagem, da diversificação do coberto florestal, da promoção da descontinuidade do mosaico agroflorestal, da melhoria das linhas de água e do aumento da capacidade de retenção de água na paisagem, - que podem ser executados com recursos proporcionalmente reduzidos-, aumentam a resiliência e diminuem o risco e severidade dos incêndios. 
 
Consideramos que nesta altura são mais importantes os contributos das pessoas envolvidas diretamente nas dinâmicas das zonas rurais, que vivem e trabalham todos os dias nesta realidade, do que considerações teóricas distantes, onde não há contacto nem consciência concreta das situações. É fundamental, para além da presença ativa nos locais sensíveis, uma reflexão profunda sobre as causas que levaram a este desastre, nomeadamente os cobertos monoculturais contínuos de espécies pirófilas (no caso, o pinheiro e o eucalipto) e a renovação das políticas até agora aplicadas, para que as mesmas sejam realmente eficazes. 
 
Foto de Juan Carlos Muñoz
Nesse sentido, identificamos a necessidade de uma nova política florestal que invista numa floresta diversificada, resiliente ao fogo e caracterizada por espécies autóctones, disponibilizando recursos e meios para um ordenamento de território ativo; para a profissionalização e especialização dos principais atores envolvidos no combate direto e para o trabalho de proximidade contínuo com as comunidades locais. 


Foto de Hugo Sousa Marques




terça-feira, 13 de junho de 2017

Reprodução de borrachos confirmada em 3 pombais recuperados pela ATN

Desde janeiro de 2017 foram recuperados 3 pombais situados no território da Águia de Bonelli. Depois de recuperados, dois deles foram repovoados e o outro, como já tinha pombas, apenas foi fornecido o alimento.

Atualmente, nos 3 pombais já se confirmou a reprodução de borrachos.


O objectivo desta ação, levada a cabo pelo Club de Fincas, é o de promover o aumento da população de Pombas das Rochas (uma das principais presas da Águia de Bonelli) e o de manter os pombais, tão característicos da região.







segunda-feira, 12 de junho de 2017

Libertação do Britango “Poiares”, um sucesso de equipa



Foi libertado, no dia 2 de Junho, o britango “Poiares”, no Penedo de Durão, a partir de uma ação dinamizada pela Associação Transumância e Natureza (ATN). 
Momento da Libertação (02 de Junho)

O britango tinha sido encontrado no dia 28 de Maio, por uma habitante de Poiares que comunicou com a ATN, identificando-o inicialmente como sendo um milhafre com dificuldades no voo.
Quando a equipa da ATN – no caso, Núria Vallverdú e Eduardo Realinho - chegaram ao local, identificaram o animal como um britango (ou abutre do Egipto) e confirmaram que não tinha nenhum ferimento evidente e que apenas estava a tentar voar embora sem sucesso.
A ação da equipa da ATN foi trazê-lo até Ricardo Brandão, Veterinário do Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), que no momento estava a participar, como formador, no X Curso de Aves de Rapina (organizado pela ATN durante o fim de semana de 26 a 28 de maio), para que o mesmo pudesse avaliar o animal. 
Primeira Análise Realizada no Terreno por Ricardo Brandão (28 de Maio)
Confirmado que não apresentava nenhum ferimento, Ricardo Brandão, Núria e Eduardo dirigiram-se de seguida para as instalações do CERVAS, em Gouveia, para uma análise mais cuidada.
Aparentemente, o indivíduo apresentava apenas sintomas de desnutrição, no entanto foram recolhidas amostras para que se descartar outro tipo de causas. Núria Vallverdú, como veterinária especialista em toxicologia foi a pessoa que dirigiu as amostras em relação aos despistes que deveriam ser feitos primeiro. 

Nesse sentido, a primeira análise fez-se ao nível de chumbo de forma a poder ser descartada a hipótese de intoxicação. Entretanto, o britango permaneceu no CERVAS, e como se alimentou bem desde o primeiro dia, nos seguintes já mostrou evolução e passou para uma área maior para exercitar o voo.
Na quinta-feira a seguir, dia 1 de Junho, foi feita a colocação de um transmissor de GPS, por José Jambas, e foi batizado com o nome de “Poiares”, devido ao sítio onde foi encontrado.
Preparação do Transmissor por José Jambas (01 de Junho)

Colocação do Transmissor por José Jambas e Ricardo Brandão
Este é o segundo individuo marcado com um transmissor no âmbito do “LIFE Rupis” e a sua colocação permite a monitorização dos seus movimentos.
No dia da libertação, sexta-feira, dia 2 de Junho, os resultados das análises chegaram e concluíram que não havia nada de errado com “Poiares” e que, afinal, o individuo se tratava de uma fêmea.
De salientar que o facto da recuperação de Poiares se ter feito em cinco dias foi bastante importante, pois caso se trate de uma progenitora, o facto de não estar presente impossibilita o outro progenitor de abandonar o ninho, que consequentemente impede a busca de alimento, tanto para as crias como para os indivíduos adultos.
No momento da libertação foi feita uma apresentação do projeto “LIFE Rupis” e uma explicação dos acontecimentos por parte das pessoas que encontraram o Britango.

Última Análise ao Britango por Ricardo Brandão (02 de Junho)
Para além de Ricardo Brandão, a devolução à Natureza da “Poiares”, contou com a presença de vários parceiros da ATN no projeto “LIFE Rupis”, tais como a Vulture Conservation Foundation, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a Associação Palombar, a Guarda Nacional Republicana, o ICNF e a Presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta. Algumas personalidades ilustres também estiveram presentes, no caso, Manuel Alegre.
Libertação do Britango Poiares (02 de Junho)
Toda esta ação só foi possível a partir do trabalho desenvolvido pela equipa da ATN, no âmbito do projeto “LIFE Rupis”, nas várias ações de educação ambiental em que se comprova que a população já esta preparada para reagir neste tipo de situações. Para além disso, vê-se reconhecido todo o trabalho de monitorização no campo pela ATN, no controlo de animais feridos e intoxicados.

Britango Poiares de volta à Natureza (02 de Junho)